sábado, 10 de agosto de 2013

HISTÓRIA DE AMOR

                              Nas montanhas morava uma índia
Fugia quando via o caçador,
Viveu uma história muito linda
Mas um malvado matou seu amor.

Ela debruçou chorando sobre o corpo
Com juras de amor cobriu-o com jasmim
Encostou os lábios no seu rosto...
Dizia: amo-te, em tupi guarani.

                       Muito tristes ficaram os animais
Ouvia-se o lamento da juriti
Cenas como estas não viram jamais
De um grande amor que chegou ao fim...
                                           

domingo, 4 de agosto de 2013

FANTASMA

                   
Sou a penúltima filha de um casal de nordestino de quinze filhos. Aos oito anos morávamos numa pequena cidade do agreste de Pernambuco.
           Antes de completar nove anos eu tive que me adaptar as mudanças bruscas com a separação dos                meus pais. Desde então, a vida não ficou muito pacata, alguns dos meus irmãos tomaram rumos para            uma cidade maior em busca de emprego.
Aos dez anos, prepara-me para entrar no ginásio. Mas, naquele ano contragosto, deixava os estudos para seguir os passos da minha mãe. Íamos morar num sitio arrendado, e dali por diante, eu teria que esquecer a casa onde nasci.
Quando chegamos à nova moradia, era uma casa pouco convidativa, havia servido até de cocheira para os animais se alimentar.  Sua cor branca estava encardida, pelo tempo. Possivelmente, seu dono havia caiado antes de eu ser gerada. A casa tinha seis quartos muito esquisitos, que davam ecos nos espaços vazios, que anteriormente ocupados por muitos moveis antigos. Acreditávamos que havia assombração, pois ouvíamos barulhos de mobílias caindo. A casa era localizada na beira da estrada, e  ela já havia passado todo plantio de canas-caiana que dava em direção a nossa casa.  Saíamos atrás dela como loucas, e conseguimos alcançá-la trêmula, e sem fala. Parecia o próprio fantasma sentado nas pedras, ao lado da cacimba, com os olhos arregalados de medo. Histericamente “gritava: por favor, não me leve, eu sou magrinha, mas não sou uma caveirinha”. Isso ela falava repetidas vezes. Nós sacudíamos-la para sair do êxtase, que se encontrava: “Pare beija-flor! Somos suas amigas, e não fantasmas!”.    

FANTASMA (CONTINUAÇÃO)

                   

  Já fazia alguns dias que eu não via Beija-Flor. Decidi passar na sua casa que ficava meio quilometro da minha. Bati palmas... Apareceu dona Severina com cara de parede caiada. Seus olhos estavam vermelhos, e uma lágrima caia no canto do olho direito. Logo imaginei: “ela deve estar cortando cebola, ou assoprando fogo de lenha verde”.
— Bom dia dona Severina, eu estou preocupada com Beija-Flor, por isso que eu vim até aqui.
     A sua voz transmitia o prenúncio de algo ruim, fiquei preocupada, quando ouvi sua resposta:
 — Minha filha está muito doente, não me deixa sair nem um momento perto dela. Vê fantasma em todo lugar. Quando toma banho só molha a cabeça, e seu corpo fica embrulhado no cobertor.
    Finalmente fiquei nervosa. Beija-Flor havia chegado ao extremo, em plena luz do dia seu drama descontrolou toda família, por causa de um fantasma.
  — Dona Severina deixe-me vê-la...
       Levou-me até o quarto, onde ela estava com o corpo inteiro coberto, ao lado  de um lampião quase apagado. Coitada da dona Severina... Não tinha mais condição financeira de comprar querosene, pois, para Beija-Flor o dia era noite. Eu não agüentava vê aquela situação, e não economizei palavras para dizer-lhe umas verdades:
 — Beija-flor levante-se! Eu tenho um remédio para curar os covardes, e os medrosos!
     Ela não se mexia... Alguns minutos depois, me respondeu, retirando o cobertor azul, daqueles que ninguém podia sofrer de prisão de ventre, e perguntou-me:
 — Qual remédio que é bom para sumir os fantasmas? Eu lhe disse:
 — Minha mãe sempre me ensinou a orar quando eu sentia medo. Vamos orar aqui mesmo, já que não temos igreja por perto.
       Todos os dias fazíamos uma oração. Beija-Flor foi acalmando, isso era um bom sinal que estava fazendo efeito.
       Seu Joaquim era um velhinho que morava nas proximidades dali. Mas, ouvia-se dizer, que ele por hobby gostava de assustar as molecadas nas vizinhanças.  Todos os dias às oito horas da manhã, ele passava pela minha casa. Era de praxe trazer um saco de milho nas costas, e seu cachorro vira-lata numa coleira, que parava aqui acolá, farejando preá dentro dos matos. Com o sol causticante, ele parou para pedir água. — “Ó de casa tem gente ai?” Estávamos brincando no alpendre junto com Beija-Flor.
  — Bom dia meninas! É muito bom ficar na sombra, e comer rapadura. Poderia me dá uma caneca d’água?
       Minha mãe pegou um caneco de alumínio e deu-lhe água da quartinha. (jarra de barro, que tem a finalidade de gelar a água  geralmente ficava nas casas mais simples do Nordeste). Minha mãe desconfiou dele, e fez-lhe uma pergunta:
   — Seu Joaquim, eu percebo que todos os dias o senhor passa com esse saco  nas costas. O que  faz com tanto milho? Ele respondeu:
    São alimentos para os porcos e as galinhas. A senhora não me ouve chamá-los?
— Todos aqui ficam com medo desse barulho. O senhor bate em latas e sua voz fica fúnebre. Beija-Flor uma menina frágil anda adoentada de medo pensa que é um fantasma
  — Ó xente, dona Ana, eu só faço isso, porque esses animais danados se distanciam do cercado.
             — Beija-Flor atentamente ouvia-o, e exclamou!
 —Ah... É o senhor, o tal fantasma!  
  Sem jeito ele cuspiu no chão, o restante d’água que estava bebendo. Pegou seu cão que gania amarrado na pilastra do alpendre, e se foi. A  Beija-Flor ficou quieta, porém, planejava juntar seus amigos para se vestirem de fantasma, e pregar um susto em seu Joaquim, assim ele aprenderia não assustar mais ninguém. Agora tudo preparado. Lá se vão eles com os rostos pintados, vestidos de branco e um chapéu velho na cabeça.  Ao mesmo tempo todos gritavam:
    Seu Joaquim... Seu Joaquim! Viemos lhe buscar para o além...
Depois se escondiam atrás das árvores. Várias vezes chamavam-no.
Horas depois, ele respondeu trêmulo:
     — Por favor, não me leve agora, porque ainda irei pedir perdão, aos jovens que eu assustei.
      —A turma caiu na risada, flagraram-no em confissão. 
Mas... Infelizmente não havia acabado em alegria. Nesse meio tempo apareceu uma visagem entre eles resmungando que era o verdadeiro fantasma. Todos saíram correndo e gritando:
    Agora é mesmo um fantasma! Socorro... É um Fantasma... É Fantasma!